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domingo, 29 de maio de 2011

Gelatina fresquinha

O que é a gelatina?
A gelatina é em geral extraída dos ossos e tecido conectivo de animais. Uma outra fonte de gelatina podem ser algumas algas. A gelatina pura é formada essencialmente por proteínas (colagénio):
84-90% de proteína
1-2% de sais minerais
8-15% de água

A gelatina começou a perder o seu mistério depois de 1920, quando o físico-químico Staudinger introduziu o conceito de macromolécula, quer dizer moléculas muito longas, formadas por pequenas unidades que se repetem. No caso das proteínas, as unidades constituíntes são cerca de 20 amino-ácidos, diferindo as proteínas consoante o número de amiono-ácidos que as formam e a sua sequência. Podemos imaginar estas moléculas como fios, capazes de se dobrar sobre si mesmos ou de se desenrolar, segundo as características do meio em que se encontram.


O consumo de gelatina (não exagerado, como em tudo o resto) traz imensos benefícios para a saúde:
  1. Enrijece o corpo: contém nove dos dez aminoácidos essenciais ao corpo. Estes por sua vez favorecem a síntese do colagéneo, que ajuda a sustentar os tecidos.
  2. Fortalece as unhas e ajuda a combater a queda de cabelo: O consumo regular ajuda a aumentar a espessura das unhas e do cabelo, o que os torna mais fortes. Além disso, acelera o crescimento.
  3. Diminui o apetite: A gelatina tem a capacidade de se ligar a uma grande quantidade de água. Por isso, dá a sensação de saciedade e diminui os riscos de exagerar à mesa.
Na tua escola também podes fazer um pouco de gelatina. Nós fizemos:



Que tal? Parece deliciosa, não achas?

AEAAV, MostrAV, Abril 2011

Pipocas deliciosas

 
Por que é que as pipocas estouram?

A "explosão" de um grão de milho quando aquecido é o resultado da combinação de 3 factores:

1. O interior do grão (endosperma) contém, além do amido, cerca de 14% de água.
2. O endosperma é um excelente condutor de calor.
3. O exterior do grão (pericarpo) apresenta grande resistência mecânica e raramente possui falhas (rachaduras).




Quando aquecido intensamente, a água no endosperma sofre vaporização, criando uma grande pressão dentro do grão. O pericarpo actua como uma panela de pressão, evitando a saída do vapor de água até que uma certa pressão limite seja atingida. Neste ponto, ocorrem duas coisas: o grão explode, com som característico (pop!) e o amido do endosperma incha abruptamente, criando aquela textura macia.
http://quimica-ii.blogspot.com/2009/06/por-que-as-pipocas-estouram.html

E que tal umas pipocas enquanto vês o filme que colocámos acima?

Estas são para mim !!!!

Recuperando energias para a aula seguinte ...















AEAAV, MostrAV, Abril 2011

O queijo

O leite contém caseína, uma proteína de forma globular que se organiza em estruturas independentes chamadas micelas. Se acidificarmos o pH do leite ou adicionarmos uma enzima, a renina (contida no chamado coalho), as micelas de caseína, antes separadas, têm tendência para se agregarem.
Basicamente, este é o primeiro passo para se fazer o queijo. Ao contrário da manteiga, que é uma matriz de gordura onde se encontram proteínas dissolvidas em gotículas de água, o queijo é uma matriz de proteína, na qual se podem encontrar glóbulos de gordura.
Mas como conseguir a sua estrutura coesa? É isso que vamos ver de seguida



O primeiro passo para se fazer queijo é baixar o pH do leite, de forma a conseguir a agregação de micelas de caseína. Para isso, junta-se ao leite bactérias que consumam o açúcar do leite e produzam ácido láctico. Este processo tem o nome de fermentação láctica e é semelhante à fermentação alcoólica. Com a produção de ácido, o pH do leite baixa e as micelas de caseína começam a unir-se.
Para conseguirmos um agregado ainda mais coeso, o leite é então aquecido, juntamente com a enzima renina. Relembra que a enzima renina desestabilizava a unidade da caseína que mantinha as micelas separadas. Agora, as micelas agrupam-se compondo um gel semi-sólido.
O gel é coeso por que as longas moléculas de caseína, antes separadas, se ligam umas às em vários pontos criando um emaranhado que atravessa toda a solução e lhe dá a textura de um gel. Mas estas proteínas ainda não se encontram suficientemente ligadas para criarem uma matriz digna de um queijo. Os seus interstícios são grandes e contém uma grande quantidade de água.
As proteínas ao serem aquecidas, desnaturam, ou seja, as suas longas cadeias de aminoácidos começam a desenrolar-se. Estas longas cadeias têm a tendência para reagir com outras cadeias de aminoácidos, ligando-se a elas em vários pontos. Por entre essas cadeias ligadas à espaços que são preenchidos pela água.

Se aquecermos ainda mais as proteínas, estas criam mais ligações entre elas. O resultado? A substância em que elas estão fica mais sólida e como os espaços entre elas ficam menores, a água vai saindo dos seus interstícios. Então é isso mesmo que temos de fazer ao gel de caseína! Aquecê-lo para que fique mais coeso e expulse a água em excesso. Só há um pequeno problema. A caseína não é a única proteína no leite. Existe a lactoglobulina, uma proteína que se aquecida forma um gel que interfere com a união das caseínas.
Antes de aquecermos o gel ainda mais, temos de retirar dele a lactoglobulina antes que esta coagule e estrague a formação do queijo. Para já, o leite apenas sofreu um aquecimento moderado, quando a renina foi adicionada. Dessa maneira, a lactoglobulina ainda não coagulou (isto apenas acontece a temperaturas superiores a 73°C) e encontra-se dissolvida na fase líquida, sendo facilmente extraída. O gel é então cortado em bocados pequenos e espremido. O excesso de água é expulso, levando consigo a lactoglobulina dissolvida. Forma-se agora uma coalhada. Como a lactoglobulina já não está presente, a coalhada pode ser bem aquecida, para que a acção da renina desestabilize ainda mais a caseína que acaba por desnaturar. A sua estrutura, dobrada sobre si mesma, começa a esticar-se formando filamentos que se unem uns aos outros. A coalhada fica mais densa e compacta. Segue-se uma filtração, em que o excesso de água é novamente retirado. A coalhada é então colocada a descansar sobre pressão – os filamentos de caseína unem-se mais, oferecendo ainda mais coesão, formando o queijo com a consistência que conhecemos.

Por entre a rede de caseína unida está aprisionada gordura e água. O queijo é então uma matriz de proteína unida, com alguma água e gordura aprisionada

http://quimicamente.no.sapo.pt/regras.html

Vamos ver agora algumas fotos dos teus colegas numa queijaria muito especial: A tua escola !!!

... e faça-se queijo !!!

Parece que temos tudo de que precisamos

Parece que todos querem provar ...

Seus comilões !!!!

Para que serve aquilo ???
AEAAV, MostrAV, Abril 2011

A manteiga trabalhosa

Quando se agitam as natas do leite, ricas em lípidos, com uma máquina batedeira ou simplesmente agitando dentro de um frasco, por exemplo (demora um pouco mais),  estamos na verdade a incorporar bolhas de ar. É assim que se faz o chantilly! Mas se continuares a agitar, os glóbulos de gordura acabam por se acumular nas paredes das bolhas de ar, começando a unir-se e a crescer, formando a manteiga.



Mas porque é que a gordura tende a acumular-se nas paredes das bolhas de ar?
A molécula de um lípido tem normalmente uma parte hidrofílica (com uma maior afinidade relativamente às moléculas de água) e uma parte hidrofóbica (não se une às moléculas de água, aliás, evita a água a todo custo!).
No leite e nas natas (que são maioritariamente compostos por água) os lípidos estão em glóbulos - várias moléculas juntam-se numa esfera, com as suas partes hidrofílicas voltadas para fora, para o meio aquoso, e as partes hidrofóbicas voltadas para dentro, no centro da esfera, fugindo da água. Quando as natas são bem agitadas esses glóbulos de lípidos tendem a desfazer-se, pela acção mecânica.
As partes hidrofóbicas das moléculas lípidicas vêem-se assim forçadas a contactar com o meio aquoso, mas não têm qualquer apetência para se unirem à moléculas de água. Assim, ao contactarem com o ar contido numa bolha, voltam-se para ele ficando fixas nesse local, com a parte hidrofílica do lípido voltado para o meio aquoso. A gordura começa deste modo a acumular-se até que forma uma matriz contínua - a manteiga.


A  manteiga não é exactamente sólida à temperatura ambiente. Quando a retiramos do frigorífico ela fica (mais) mole, mas não derrete totalmente. A que se deve isto?
A manteiga é um derivado do leite, o qual contém uma série de diferentes lípidos que se juntam para formar a manteiga. Estes diferentes lípidos (ácidos gordos) têm diferentes pontos de fusão. É por esta razão que a manteiga tem aquela textura mole, mas não exactamente líquida, à temperatura ambiente: alguns dos seus lípidos já se fundiram, enquanto outros permanecem sólidos.

E tu? Não queres experimentar fazer um pouco de manteiga deliciosa? É fácil, divertido e bastante saboroso. Vê como os teus colegas fizeram, nestas fotos:


Vamos lá pôr isto a mexer !!

Temos manteiga !!!

Eu tambémn vou fazer mateiga !!!!

Só mais este pedaço ....

Calma, chega para todos !!!...


AEAAV, MostrAV, Abril 2011